Cavalos do Butantan são protagonistas na produção de soro anti Covid-19

26/03/2021 as 05:27
Os cavalos do Instituto Butantan, em São Paulo, mais uma vez são os protagonistas em pesquisas voltadas à saúde, agora na produção de um soro que pode auxiliar no tratamento da Covid-19. Os aproximadamente mil animais, criados em uma fazenda do instituto em  Araçariguama, interior do estado, já têm uma importância enorme para o desenvolvimento de soros hoje disponíveis para doenças como tétano, botulismo e raiva, entre outras. Eles também ajudam a produzir antídotos para veneno de cobras e aranhas.
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nessa quarta-feira, 24/03, o pedido de autorização para o início de testes clínicos do soro anti-Sars-CoV-2 em humanos. O soro já foi testado em animais com resultados muito promissores na diminuição da carga viral e proteção dos pulmões, ou seja, as cobaias não desenvolveram a forma fatal da infecção pelo coronavírus.
 
Os cavalos foram escolhidos pelo Butatan há tempos para a fabricação desse tipo de medicamento por uma boa razão: as proteínas de defesa geradas por ele são 50 vezes mais concentradas do que as produzidas por humanos. Os pesquisadores injetam o coronavírus inativado por radiação no cavalos, que começam a produzir anticorpos. O vírus modificado não é capaz de causar a doença no animal. Então, os cientistas extraem o plasma sanguíneo do equino e o purificam, até restar apenas os anticorpos. São anticorpos contra as várias proteínas do vírus e, por conta dessa abrangência, a perspectiva é que o soro produzido em cavalos possa ser eficaz inclusive contra as novas variantes do coronavírus.
 
No momento, três mil frascos de soro estão prontos para o início imediato dos testes em humanos, aguardando apenas essa liberação da Anvisa. Caso o soro demonstre resultados positivos nessa primeira fase, os pesquisadores poderão seguir para ensaios clínicos maiores buscando avaliar a eficácia do soro contra a Covid-19.
 
Estudos similares com cavalos também estão sendo conduzidos pelo Instituto Vital Brasil no Rio de Janeiro e na Argentina, onde o soro já está sendo testado em humanos desde janeiro, com resultados bastante positivos.
 
 
Com infos: butantan.gov.br / canaltech.com.br / super.abril.com.br / jornal.usp.br