Rodolpho Riskalla finaliza participação em Tóquio com prata inédita

31/08/2021 as 03:59
O cavaleiro Rodolpho Riskalla garantiu uma inédita prata do Brasil no Adestramento Paraquestre Grau IV nos Jogos Paralímpicos de Tóquio na quinta-feira, 26/8, no parque equestre Koji Baen. Terceiro de 15 concorrentes no picadeiro, embalado pela trilha de "Aquarela do Brasil" que tocava ao fundo, Rodolpho montando Don Henrico fechou com 74,659% de aproveitamento assumindo a liderança da competição.
 
Missão cumprida para Rodolpho e Don Henrique, prata na prova técnica (Wander Roberto - CPB) 
 
Ao final, sagrou-se campeã a holandesa Sanne Voets, 9ª dos 15 concorrentes, montando Demantur, que registrou 76,585%. Voets foi campeã na Rio 2016 e é campeã mundial 2018 e atual campeã europeia. O bronze ficou com a belga Manon Claeys com San Dior, 72,853%.
 
Foi também com Don Henrico, de 18 anos, seu companheiro de longa data de propriedade da ex-amazona olímpica alemã Ann Katrin Linsehof, que Rodolpho conquistou duas pratas nos Jogos Equestres Mundiais 2018, a Copa do Mundo do Hipismo realizada a cada quatro anos, que teve sua última edição em Tryon (EUA).
 
Rodolpho Riskalla, prata, Sanne Voets, ouro, e Manon Claeys, bronze (FEI/Liz Gregg)
 
"Entrar no começo é sempre difícil. Tento me concentrar só no que está acontecendo entre nós, meu cavalo e eu. Não pude treinar nenhum dia sozinho na pista, então cria um pouco de tensão no começo, mas eu o conheço, vai relaxando. Deu tudo certo, fiquei super contente. Estou muito emocionado em competir em uma pista e um evento como esse.", destacou Rodolpho, 36.
 
Na segunda-feira, 30/8, com a prova Estilo Livre (Freestyle) que reuniu 40 conjuntos que ficaram entre os oito melhores resultados nos cinco graus em que se divide a modalidade. Rodolpho Riskalla e Don Henrico voltaram à pista e fcaram entre os top 5 no Freestyle, a prova com coreografia livre e música, registrando a nota 74,070%. A apresentação do conjunto teve alguns momentos de tensão a galope, prejudicando o desempenho e o sonho de uma segunda medalha: “No trote e passo fomos super bem e no galope o Don Henrico esquentou um pouco. Aí ele demora um pouco para acalmar de novo, as figuras são próximas e com a tensão perdemos um pouco em harmonia. Não podemos falar que foi ruim, ficamos em 5º e temos uma medalha de prata. Continua todo mundo feliz e prontos para próxima: daqui a um ano no Mundial", comentou Riskalla.
 
Rodolpho e Don Henrico deram show no picadeiro (Wander Roberto - CPB) 
 
No Grau IV o resultado do pódio no Freestyle teve a holandesa Sanne Voets montando Demantur conquistando novamente o ouro (82.085%) assim como o belga Manon Claeys / San Dior 2 (75.680%) o bronze; já a prata ficou com a sueca Louise Etzner Jakobsson / Goldstrike B.J. (75.935%).
 
O outro representante brasileiro no Adestramento Paraequestre, Sérgio Froés Oliva montando Milenium, no Grau I, ficou em 10º entre 18 competidores na prova técnica na sexta-feira, 27, com a boa média de 69,643%, mas não avançou para o Freestyle.
 
Sergio Oliva com Milenium: Top 10 no Grau I (Wander Roberto - CPB)
 
Do Adestramento tradicional ao Paraequestre
 
Até 2015, Rodolpho que começou montar na infância em São Paulo no Clube Hípico de Santo Amaro, competia no Adestramento Clássico com várias conquistas. A partir da década de 2000 se transferiu para Europa treinando com renomados nomes da modalidade. Em 2015 contraiu meningite bacteriana e como consequência da doença sofreu a amputação tibial das duas pernas, mão direita e dedos da mão esquerda.
 
Apesar das adversidades voltou a montar. No início de 2016, meses depois de intenso tratamento, fisioterapia e adequação a próteses, Rodolpho voltou a montar no clube Polo de Paris com apoio da mãe e treinadora Rosangele e da irmã Victória, amazona de Adestramento. Riskalla passou a dividir seu tempo entre o trabalho como gerente de eventos na Christian Dior e treinos e viagens montando Don Henrico, cavalo da raça hannoveriana cedido por sua amiga e patrocinadora, a amazona olímpica alemã Ann Kathrin Linsenhoff, do Stud Schafhof. O conjunto foi convocado para integrar o Time Brasil nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016 na categoria Grau IV, ficando em 10º na classificação individual e em 7º por equipe. Vale destacar que o cavaleiro também voltou competir com sucesso em provas de Adestramento Clássico.
 
O Brasil soma agora cinco medalhas no adestramento paralímpico. Dois bronzes Marcos Fernandes Alves, o Joca, em Pequim 2008 e outros dois com Sergio Froes Oliva na Rio 2016.
 
 
Com a fonte: Imprensa CBH; Fotos: Wander Roberto - CPB